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27 de jan de 2008

“O Espaço Urbano na Arte e a Arte no Espaço Urbano” - Felipe Barbosa

“O Espaço Urbano na Arte e a Arte no Espaço Urbano” - Felipe Barbosa
Por Felipe Barbosa

Relatório de atividade da oficina de Arte Pública realizada no Sesc TijucaO primeiro passo dado na oficina de Arte Pública proposta pelo Sesc Tijuca foi justamente problematizar a própria noção de oficina considerando que o tema, diferentemente de outras oficinas, não se configura como técnica a ser transmitida e aprendida, o termo arte pública foi pensado a partir da experiência de diversos artistas que trabalharam o âmbito urbano. Como o “Titled Arc” de Richard Serra, os “Circuitos Ideológicos” de Cildo Meireles, as ações do Grupo Atrocidades Maravilhosas, o envolvimento de Hélio Oiticica com a comunidade da Mangueira ou as caminhadas e fotografias de Richard Long.
O grupo de estudantes se mostrou bastante interessado em conhecer mais sobre esse tema que é tão pouco debatido em nosso país, e como mediador deste grupo transmiti através da minha própria experiência como artista, já que realizei ao longo dos últimos 8 anos obras de intervenção no espaço urbano em diversos países. Acredito que o grupo pôde perceber que não existe uma só maneira de se aproximar do espaço público e que o trabalho de atelier muitas vezes é uma continuação das reflexões que se dão na rua. As possibilidades de ação e eficácia dos trabalhos feitos ou colocados na rua estão sempre vulneráveis às intempéries humanas, ou seja, o artista deve levar em conta sempre a possível interferência na obra.
Após conhecer melhor a produção de cada um dos participantes estimulei os alunos a levar a cabo suas idéias de intervenção, independente delas serem viáveis ou não, a idéia era justamente estimular a criatividade e a imaginação livres dos compromissos com o mundo real....
O dia das intervenções se mostrou um pouco frustrante para os participantes pois a solicitação por parte do Sesc de se realizar uma interferência no espaço da unidade da Tijuca se mostrou um tanto equivocada pois não se configurava um espaço urbano livre de uma estrutura institucional e a presença do show se tornava muito mais presente do que as obras realizadas em si....
Acho a iniciativa do Sesc muito boa mas acredito que o formato deva ser repensado focando mais a produção teórica e a documentação do material produzido.


Por Daniela Labra

A experiência realizada nesta oficina serviu para reunir pessoas interessadas em discutir não apenas o tema proposto, mas principalmente para refletir a produção de arte contemporânea em geral, expressada em ações e obras em suportes variados, e que integram um circuito cultural amplo mas carente de iniciativas que estimulem a formação de público para as artes visuais. Esta foi a impressão geral que tive ao participar do encerramento da oficina - dia em que estava programada fazer uma “crítica ao vivo” do processo que havia ocorrido ali. Fazer uma “crítica ao vivo”, de trabalhos de artistas iniciantes os quais não se conhece justamente o processo e menos a sua formação é uma tarefa difícil de entender. Contudo, esta questão foi colocada logo de início para o grupo de Felipe Barbosa, e assim deu-se início uma longa e despojada conversa crítica que enfocou principalmente os meandros e mistérios do circuito institucional por onde circula a obra, o artista e o crítico de arte. Desse modo, também se refletiu sobre o que é exatamente uma crítica de arte, qual o seu valor e como ela se enquadra hoje em dia, neste momento em que a própria produção artística está em crise.
Da crise da arte para a crise real das instituições brasileiras, passamos então a discutir, junto com Felipe Barbosa, o viés do circuito que vive menos crises: o mercado de arte. Uma vez que tanto o artista quanto eu própria, a crítica convidada, temos bastante vivência no lado mercantil, foi interessante perceber a surpresa dos alunos com as ‘descobertas’ que faziam a cada uma de nossas observações e comentários sobre transações econômicas que envolvem a venda e circulação de uma obra de arte. A discussão foi longa e acalorada, demonstrando que esse assunto está muito distante do universo do estudante, ainda cheio de interrogações, mitos e expectativas sobre seu futuro nas artes.
Por último, retornamos aos trabalhos planejados e desenvolvidos pelos alunos, alguns dos quais foi possível ver de perto naquele que era o último dia da oficina. Após a conversa e já conseguido algum entrosamento com o grupo, foi possível discutir um pouco os projetos e ajudá-los a pensar de que modo o que haviam realizado funcionaria no espaço urbano de fato, isto é longe e desprotegido do SESC.
A experiência oferecida mostrou-se uma boa oportunidade para colocar estes estudantes em contato com profissionais das artes que estão de fato inseridos num circuito institucional maduro. Ao menos no dia de minha participação, o encontro serviu para que os alunos recebessem um parecer não apenas sobre seus projetos, mas sobre o que pensam e procuram entender sobre a produção de arte contemporânea.

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